Blog do Inédito

O ônus do bônus
19/Mar/20autor: Emerson Dias
O ônus do bônus

Os americanos utilizam uma expressão, chamada “catch 22”, cuja tradução literal não quer dizer nada em português, mas é usada para evidenciar um dilema ou circunstância difícil na qual não há escapatória devido às condições, mutuamente, conflitantes ou dependentes.

Em outras palavras, é um cálculo circular. Aquele do Excel, sabe? Quando você quer fazer um cálculo utilizando várias células, mas dá erro porque alguma célula, parte do cálculo, é dependente de um sub dentro do cálculo final.

Sei, ouvi, achei bonito, mas não entendi nada – disse-me a revisora deste texto.

Por isso, prefiro dizer “catch 22”.

Mas se você não entendeu, por favor, pergunte a alguém que conheça de Excel. Vendo ficará mais fácil.

Pois bem, passada a explanação da expressão, ou tentativa dela, me recordo de um caso muito peculiar, acontecido numa unidade de negócio pequena, de uma grande multinacional, há alguns anos.

Era fim de ano comercial, momento muito esperado. Era chegada a hora de fechar o balanço anual, e neste fatídico período começam a surgir surpresas.

Provisões que brotam das cartas de circularização, mudanças de grau de probabilidade entre outras.

Algumas áreas, finalmente, assumem que não irão faturar o que prometeram, mas afirmam que ano que vem tudo será diferente. Exatamente como foi ano passado, eu me lembro.

O confronto final do orçamento com os gastos efetivos está bem parecido como quando foi aprovado o orçamento, ou seja, ninguém concorda com o número, mas vida que segue.

Discussões daqui e dali, finalmente rufam-se os tambores e o número final sai.

Um resultado positivo! Viva!

Agora, é só passar o número final para o gerente de RH calcular o bônus! Diz o diretor financeiro, já pensando na piscina que, finalmente, seria construída em seu pequeno rancho chamado aposentadoria.

E eis que vem a surpresa.

Com os números do resultado em uma das mãos e o valor a ser provisionado de bônus na outra, diz o contador para o diretor financeiro:

– Não temos como provisionar o bônus!

– Como não? – indaga o diretor. – Se provisionarmos o valor que temos, o resultado fica negativo, pois o valor do bônus total a ser provisionado para os funcionários é de 1,5 vezes o valor de resultado total, e pelas regras, quando o resultado for negativo, não há bônus, correto, chefe?

– Então, não vamos incluir o bônus, assim não teremos este ônus. E os acionistas ficarão felizes, disse o diretor.

– Mas, chefe, mostrando resultados positivos, fica claro que precisaremos pagar o bônus, rebateu com olhos arregalados o contador.

– Então precisamos decidir: ou o senhor ganha bônus e explica o ônus; ou ficamos todos sem ônus e sem bônus, finalizou o diálogo o diretor financeiro.

E foi assim que este contador aprendeu que Excel significa desafio em inglês e que “catch 22” é sair da frigideira e cair no fogo.

Uma lição de inglês e informática inesquecível.

Esta história saiu primeiro na Revista da ANEFAC

Se você tem um causo inusitado, engraçado ou curioso envolvendo o mundo corporativo para contar, envie para esta coluna pelo e-mail comunicacao@anefac.org.br, que nosso lorde está pronto para escrachar. Mas pode ficar tranquilo, como todo lorde que se preze, Lord Excrachá é discreto. (Importante: As identidades dos colaboradores desta coluna não serão divulgadas.)

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Lord Excrachá é criação de Emerson W. Dias, vice-presidente de Capital Humano da ANEFAC e fundador do portal e da série de livros O Inédito Viável.

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